Sergipe é o estado com maior número de casos de sífilis do nordeste

 A secretaria de Estado da Saúde (SES), através da Divisão de Vigilância Sanitária, emitiu nota técnica que recomenda a solicitação rotineira de exame para detecção de sífilis em pacientes do sexo masculino, tanto em unidades da rede pública quanto em unidades da rede privada. A nota, recomendada aos profissionais da saúde, das Secretarias Municipais da Saúde, dos Conselhos Regionais de Medicina e Enfermagem, dos sindicatos e da Sociedade Médica de Sergipe, foi a primeira do Brasil, sendo comunicada e aprovada pelo Ministério da Saúde (MS).
 De acordo com o gerente do Programa Estadual de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST/Aids), o médico Almir Santana, a intenção de tornar constante a solicitação médica do exame ou teste rápido em homens se dá em função de uma epidemia de sífilis. “O preconizado pelo MS é identificar, em média, menos de um caso de sífilis congênita [quando o bebê nasce com sífilis] para cada mil nascidos vivos. Em Sergipe, temos em torno de 10 casos para cada mil nascidos vivos, aproximadamente. Uma estimativa alarmante, que o caracteriza como estado nordestino com maior número de casos de sífilis congênita. Diante desse dado, o ideal é identificar o quanto antes o maior número possível de sífilis em gestantes para, a partir daí, orientar essas mães para o tratamento que se inicia no pré-natal, cuja qualidade é responsabilidade da Rede de Atenção Básica”, explicou o gerente.
 Segundo a técnica da Gerência de IST’s da SES, Fernanda Costa, no primeiro trimestre de 2016, Sergipe registrou 81 casos de sífilis em gestantes. Até o último dia 5, chegou a 58 o número de casos. Já a sífilis congênita somou 69 casos no primeiro trimestre de 2016 e até a mesma data de 2017, 49 casos. No que diz respeito à sífilis congênita, lideram no ranking os municípios de Nossa Senhora do Socorro (10 casos), Aracaju (seis casos) e Itabaianinha (quatro casos).
 “Esses dados são notificados pelos municípios através das maternidades e Unidades Básicas de Saúde [UBSs]. Não são dados considerados positivos e quando deslocamos equipes da Gerência de IST’s da SES para monitoramento e supervisão nos municípios com maior índice de sífilis congênita, percebemos que há mais casos a serem registrados”, ressaltou Fernanda.
A doença
 A sífilis é uma infecção adquirida através da relação sexual, quando não há uso de camisinha, independentemente da idade ou do sexo de quem a pratica. A contaminação nem sempre ocasiona a manifestação de sintomas, o que a caracteriza como infecção, às vezes, silenciosa por meses ou até anos. O primeiro sintoma surge a partir de pequenas feridas nos órgãos genitais (pênis, vagina ou ânus) chamada cancro duro, que não dói, não gera pus e desaparece sozinha mesmo que não haja a cura. O segundo estágio da manifestação dessa infecção se dá com queda de cabelo, feridas no corpo, especialmente em mãos e pés, que não coçam.
Consequências
 Sem tratamento, a sífilis pode trazer agravos muito grandes para o sistema nervoso e para o coração, a exemplo de cegueira, demência e aneurisma de aorta (dilatação da artéria aorta). Porém, a maior problemática enfrentada pela rede pública de saúde é a sífilis congênita, que se manifesta quando a mãe não realiza o pré-natal corretamente. A mãe só infecta a criança quando não descobre a presença de sífilis ou quando descobre e não faz o tratamento.
 “Há também a possibilidade de a mãe descobrir a sífilis tardiamente, por isso o ideal é que o exame seja feito assim que ela identifica a gravidez. Quando infectado e não tratado, o bebê apresenta sequelas, como infecção no nariz (pus), má formação no esqueleto e lesão no sistema nervoso, quando chega a nascer. Às vezes, o bebê chega a vir a óbito antes mesmo do nascimento”, explicou Almir Santana.
Tratamento
 O tratamento em combate à sífilis é rápido, assim como o diagnóstico, que pode ser feito com um teste simples, com resultado em até 20 minutos. No caso da sífilis primária, uma única dose de penicilina benzatina intramuscular já é suficiente para pôr fim à bactéria Treponema pallidum, transmissora da infecção. O medicamento é disponibilizado em UBSs e aplicado aos bebês, mesmo após o nascimento.
 “Alertamos as mães para a realização do pré-natal junto com o parceiro, uma vez que quando falamos em sífilis a maior problemática de saúde pública é a infecção congênita. Além disso, é extremamente importante o uso de camisinha também nas relações sexuais durante a gravidez”, enfatizou o gerente do Programa IST/AIDS.

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