Tobias Barreto de Menezes: Jurista, filósofo, jornalista e escritor brasileiro

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Biografia de Tobias Barreto

Tobias Barreto (1839-1889) foi filósofo, escritor e jurista brasileiro. Foi o líder do movimento intelectual, poético, crítico, filosófico e jurídico, conhecido como Escola do Recife, que agitou a Faculdade de Direito do Recife. Patrono da cadeira nº 38 da Academia Brasileira de Letras.

Infância e Formação

Tobias Barreto de Meneses nasceu na Vila de Campos do Rio Real, hoje Tobias Barreto, no estado de Sergipe, no dia 7 de junho de 1839. Filho de Pedro Barreto de Menezes e de Emerenciana Barreto de Menezes. Iniciou os estudos em sua cidade natal. Mudou-se para Estância, onde estudou latim e música.

Em 1861, Tobias Barreto mudou-se para a Bahia e ingressou no seminário, mas não se adaptou. Mudou-se para uma república de amigos em Salvador. Estudou filosofia e matérias preparatórias. Quando o dinheiro acabou, voltou para Vila de Campos.

Em 1862, Tobias Barreto mudou-se para o Recife e ingressou na Faculdade de Direito. O ambiente na cidade era muito intelectualizado e dominado pelos estudantes do curso jurídico. Entre os alunos estavam Rui Barbosa, Joaquim Nabuco e Castro Alves, com quem trocou desafios poéticos.

Tobias Barreto se submeteu ao concurso para ensinar Latim no Ginásio Pernambucano, porém ficou em segundo lugar. Em 1867 concorreu para a vaga de professor de Filosofia no mesmo Ginásio, foi classificado, mas não foi o escolhido.

Tobias Barreto procurava esquecer sua origem humilde, mas era mestiço e se achava descriminado pela cor da pele. Tentou casar com Leocádia Cavalcanti, mas não foi aceito pela família aristocrática da moça. Apaixonou-se por Adelaide do Amaral, artista portuguesa e casada, para quem declamava versos cheios de amor.

Advogado, Professor e Poeta

Depois de formado, Tobias Barreto passou dez anos morando na pequena cidade de Escada, na região açucareira de Pernambuco. Casou-se com a filha de um dono de engenho e proprietário de terras da cidade de Escada. Dedicou-se à advocacia. Foi eleito para a assembleia Provincial de Escada e, editava um jornal na cidade.

De volta ao Recife, passou em um concurso para lecionar na Faculdade de Direito. Hoje a Faculdade é consagrada como “A Casa de Tobias”.

Escrevendo sempre para a imprensa, deixou apenas um livro de poesias de feitio romântico-condoreiro, “Dias e Noites”. A preocupação com os problemas sociais do Brasil é a característica principal da terceira geração de poetas românticos.

A campanha pela República e pelo fim da escravidão ganha as ruas e o poeta procura ser o porta voz do povo, como fez Tobias Barreto em seus versos:

Se é Deus quem deixa o mundo
sob o peso que o oprime,
Se ele consente esse crime,
Que se chama a escravidão,
para fazer homens livres,
para arrancá-los do abismo,
Existe um patriotismo
Maior que a Religião.

Se não lhe importa o escravo
Que a seus pés queixas deponha,
Cobrindo assim de vergonha
A face dos anjos seus,
em delírio inefável,
praticando a caridade,
Nesta hora a mocidade
corrige o erro de Deus! (…)

Filósofo Positivista

A sua contribuição filosófica e científica foi de grande importância, uma vez que contestou as linhas gerais do pensamento jurídico dominante e tentou fazer um entrosamento entre a filosofia e o direito, propagando os estudos de Darwin e o positivismo de Haeckel.

Tobias Barreto faleceu no Recife, Pernambuco, no dia 26 de junho de 1889.

Obras de Tobias Barreto

  • O Gênio da Humanidade, 1866
  • A Escravidão, 1868
  • Ensaios de Filosofia e Crítica, 1875
  • Ensaio de Pré-História da Literatura Alemã, 1879
  • Estudos Alemães, 1880
  • Dias e Noite, 1881
  • Menores e Loucos em Direito Criminal, 1884
  • Discursos, 1887
  • Questões Vigentes de Filosofia e Direito, 1888
  • Polêmicas, 1901.

 

Possui bacharelado em Biblioteconomia pela UFPE e é professora do ensino fundamental. Desde 2008 trabalha na redação e revisão de conteúdos educativos para a web.

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